Ética e cópia de trabalhos

De novo a ética (ou a falta dela)

Post de 09/12/2009 (original aqui)

 

Pode parecer insistência ficar falando sobre o assunto ética (leia mais abaixo o primeiro texto sobre o assunto). Nem ía falar sobre isso, mas não me conformo com certas injustiças. Pesquisando outro dia na Internet descobri que uma loja copiou o meu modelo de almofada para notebook – com diferenciais criados por mim – idêntico! Só não tem as mesmas medidas, é um pouco mais quadrada, mas a concepção toda é igualzinha, com as tiras segurando a placa, até a descrição é igual a que eu tinha no meu site. Tratando-se de uma loja especializada na confecção de almofadas, obviamente tem condições de vender bem mais barato que as minhas.

No meu antigo blog, do Globolog, que infelizmente já não existe mais, eu publiquei um texto uma vez explicando como criei a almofada. No final de 2007, vendo a dificuldade do meu marido em trabalhar com o note no colo enquanto trabalhava sentado, resolvi desenvolver eu mesma um modelo, inspirada em almofadas com bandeja para café da manhã que já tinha visto por aí. Daí fiz a primeira, que dei de presente de aniversário para minha irmã (foto abaixo). As pessoas que viram gostaram e começaram a me pedir. No início de 2008 a Simone Quintas, editora da revista Casa e Jardim, me pediu para publicar no blog dela (O Lá em Casa) esse e alguns outros trabalhos meus (Veja a postagem da Simone aqui), e foi a partir daí que passei a receber mais emails de pessoas interessadas.

Minha primeira almofada

O modelo é simples, qualquer um que sabe costurar pode copiar, eu sempre soube disso. O dificil é aceitar como normal e deixar pra lá o fato da cópia ser feita por alguém que se coloca como o autor da ideia e ainda comercializa, consequentemente tirando mercado de quem cria, erra, investe e testa, até chegar num produto ideal. Difícil aceitar que existem pessoas que, por falta de criatividade e competência, copiam as ideias alheias e apresentam como NOVIDADE, no seu site. Simplesmente pegam a receita e mandam ver. Existem muitos modelos de almofada com bandeja por aí, alguns até mais antigos que o meu, porém quase todos desenvolveram seus próprios modelos, com suas ideias e diferenciais.

Apesar de terem copiado meu modelo, pelo que vi, não têm o mesmo acabamento nem as características diferenciadas da minha, como o tipo de tecido, fechamento das capas, o fato de ser personalizável com o nome da pessoa, etc. Acredito que certos caprichos e cuidados não podem ser copiados, a essência de um trabalho não pode ser copiada, por mais disposição que a pessoa tenha de fazer igual. Até porque quem copia ao invés de desenvolver seus próprios trabalhos, geralmente é porque é incompetente para tal. 

Enfim, fica o alerta para quem preza pela honestidade no comércio. 

Beijos a todos,   

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Ética e direitos autorais 

Post de 29/08/2009 (original aqui

 

Lembram dos mini-futons para celular que mostrei aqui e aqui? Tive a ideia e criei o modelo com o maior carinho, dada a minha paixão por miniaturas. Pensei, pensei, experimentei até chegar a um modelo que achei perfeito para usar como um descanso para celular. Está tudo explicadinho lá no post. E não é que ontem descubro que uma pessoa copiou o modelo idêntico e colocou a venda em um site de artesanato, sem dar crédito nenhum de onde tirou o modelo e a ideia, anunciando da mesma forma como “futon para celular”, inclusive com uma foto quase idêntica a essa?

Entendam que eu não vejo problema nenhum nas pessoas se inspirarem nos trabalhos dos outros, ao contrário, acho até legal. Fico feliz quando me dizem que meu trabalho inspirou alguém e eu mesma me inspiro em muitos artistas. Só que inspirar-se é uma coisa e copiar exatamente igual é outra. Eu evito copiar inteiramente um trabalho até porque não me dá satisfação nenhuma simplesmente copiar o que outra pessoa criou sem ter nenhum toque ou criação minha.

Para mim, um trabalho me inspira quando me encanta e me motiva a fazer algo semelhante, desperta ideias minhas a partir da ideia original. Ainda assim, quando faço um trabalho inspirado na ideia de outra pessoa,  mesmo que o resultado não fique igual, faço questão de dar os devidos créditos. É questão de respeito, de sinceridade, de ética e até de agradecimento pela disposição daquela pessoa em compartilhar seus trabalhos. Foi o que aconteceu com a casinha de papel – a minha ficou até bem diferente da casinha da Beatriz, mas nunca teria pensado nisso, pelo menos não nesse momento, se não tivesse visto o trabalho lindo que ela fez. Me senti na obrigação de citá-la. E mesmo quando a gente gosta muito da ideia de alguém, e tem vontade de fazer um igualzinho, que seja para uso pessoal e não para venda (salvo quando existe a permissão para isso, como as ideias apresentadas em revistas específicas) e é claro, da mesma forma, dando os devidos créditos ao autor do projeto original.

Por isso achei injusto o que eu vi, e nem é por questão de competição, pois eu faço artesanato primariamente por hobby, não para venda, com exceção de uma ou outra coisa que alguém vê aqui e me pede. Mas fazer uma cópia idêntica de um modelo claramente criado por outra pessoa, sem pedir permissão, sem dar créditos e ainda colocar A VENDA na Internet, é de uma falta de ética e respeito sem fim. Até porque aí entra um aspecto muito mais sério, que é a violação dos direitos autorais.

Pode até ser que essa pessoa tenha feito isso por ingenuidade, falta de experiência, de conhecimento da ética e dos direitos autorais, achando que tudo bem agir assim. Porém, essa mesma pessoa entrou em contato comigo por email no início do ano, para elogiar meus trabalhos. Por que não entrou em contato também para pedir permissão para fazer igual?

Então gente, inspirem-se, até copiem para seu uso pessoal,  mas não se apropriem de criações alheias (ou fotos, como eu também já vi acontecer) para apresentar como sendo suas, muito menos colocando-as a venda. Dar créditos ao autor do trabalho que você copiou fica simpático, desperta respeito, demonstra caráter e dá credibilidade ao seu trabalho. O autor com certeza vai encarar isso como uma homenagem, um elogio e você vai ganhar a admiração dele. Por outro lado, apresentar uma criação alheia como sua é desonesto, desperta desconfiança, demonstra caráter duvidoso e incompetência.

Textos interessantes sobre o assunto:

 O que é direito autoral (Wikipedia)

Pra copiar também precisa ter talento (por Carla Cavellucci Landi)

   

Beijos a todos e o meu agradecimento sincero àqueles que me escrevem comentando, elogiando, contando suas histórias e mostrando seus trabalhos com sinceridade. 

 

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